Como fazer armadilhas para o mosquito da dengue?


A dengue aterroriza o país. Em 2015 foram registrados 1,5 milhão de casos de dengue entre janeiro e 14 de novembro. A região Sudeste teve 975.505 casos, 63,6% dos casos, em seguida vem o Nordeste com 278.945 casos, Centro-Oeste 198.555 casos, Sul 51.784 casos e Norte 30.143 casos. Em 2015 foram 811 mortes contra 453 em 2014, um aumento de 79%.

Como se não bastasse a dengue, a chikungunya e a zika também tiram o sossego. O Ministério da Saúde revela que 199 municípios correm risco de ter surto de dengue, chikungunya e zika. Estima-se que 665 municípios têm de 1% a 3,9% dos imóveis com focos do mosquito, por isso encontram-se em situação de alerta.  Existem outros 928 municípios com menos de 1% dos imóveis com focos, estando em situação satisfatória.

E pensar que o aedes aegypti, um mosquitinho de um centímetro causa tudo isso. O inseto tem hábitos noturnos e se reproduz em água parada. O inseto adulto vive de 1 a 2 meses, a fêmea deposita de 30 a 50 ovos por vez e em forma de ovo cada mosquito pode viver até 2 anos. Somente a fêmea pica, geralmente pela manhã e ao entardecer, mas em condições favoráveis também pica à noite.

Existe a dengue comum e a hemorrágica. Febre alta e repentina, manchas vermelhas, dor nas articulações e dor atrás dos olhos são alguns dos sintomas da dengue comum. A dengue hemorrágica apresenta os mesmos sintomas, tendo como diferencial sangramento no nariz, boca, gengiva, nas fezes e no vômito, além de pés e mãos azulados e frios.

Medidas simples como colocar areia nos vasos das plantas, manter ralos e vasos sanitários fechados, deixar caixas e d’água e recipientes de armazenamento de água sempre tampados e manter sacos de lixo e lixeiras fechados combatem o aedes aegypti. Usar repelentes à base de icaridina três vezes por dia afasta o mosquito. Soluções naturais como óleos essenciais, vela e difusores de citronela, andiroba e copaíba também são muito utilizados nessa luta.

Armadilha

População e cientistas estão unidos nessa luta. Em Recife, pesquisadores da Fiocruz criaram uma armadilha para acabar com o “mosquito maldito”. Inicialmente, a armadilha era para combater a muriçoca, inseto transmissor da filariose, doença que causa inchaço nos membros inferiores, dor de cabeça e febre.

As armadilhas foram colocadas em 175 residências em Olinda (região metropolitana de Recife). A criação dos pesquisadores chama atenção pela simplicidade, uma caixa de plástico preto com uma abertura na frente. Nessa abertura tem uma borda adesiva com uma cola forte, caso a fêmea não ficar grudada e conseguir depositar os ovos, a solução com larvicida biológico dentro do recipiente mata as larvas.

Os técnicos fazem manutenção a cada dois meses e analisam o material. Em duas coletas, foram retirados mais de 70 mil ovos e 800 mosquitos de circulação. Rosângela Barbosa, pesquisadora da Fiocruz explica que seria importante produzir a armadilha em larga escala.  Mas, a boa notícia é fácil e dá para fazer em casa. Confira os materiais, veja o passo a passo e proteja sua casa:

Materiais

  • Garrafa pet;
  • Tesoura;
  • Fita isolante;
  • Lixa para madeira tipo 220
  • Microtule (tecido);
  • Funil;
  • Alpiste ou ração para gatos

 

Como fazer?

  1. Pegue a tesoura e corte a garrafa pet grande em duas partes. Uma dica é amassar a garrafa, perfure o plástico e corte os dois pedaços. Reserve o anel do lacre;
  2. Lixe a parte em formato de funil até o plástico adquirir aparência fosca e ficar áspero. Essa parte será a tampa;
  3. Tire o anel do lacre com cuidado. Corte um pedaço de microtule e prenda o tecido com o anel, empurre até a segunda volta da rosca;
  4. Triture quatro sementes de alpiste ou uma porção de ração para gatos. Coloque a mistura no fundo da base e adicione água. Os micróbios ao redor da isca vão se multiplicar e alimentar as larvas;
  5. Coloque o funil para baixo dentro da base da garrafa. Encaixe as duas peças e fixe com fita isolante;
  6. Acrescente mais água e procure o ponto médio entre o topo do tule e a boca da garrafa. Use fita isolante para marcar o ponto. Será preciso colocar água conforme ela evaporar;
  7. A fêmea do aegypti colocará os ovos na parede do vasilhame, acima da marca. Após uma semana, adicione água até a marca. Observe todos os dias para saber quando colocar água;
  8. O contato com a água fará os ovos eclodirem. As larvas vão até o fundo da garrafa para comerem. Elas vão crescer e atingir a fase adulta, porém, os insetos não vão conseguir passar pelo tule e morrerão afogados.

Atenção: antes de abrir, veja se tem algum mosquito, caso sim, agite a água. Esvazie sua armadilha, jogando a água no jardim e higienize as peças com detergente.

Todos devem entrar nessa luta contra a dengue. Essa armadilha é mais uma arma para combater o aedes aegypti. Se cada um fizer sua parte, o Brasil ficará livre da dengue.

 

 

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Fontes

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2015/11/24/casos-de-dengue-chegam-a-15-milhao-no-pais-zika-atinge-18-estados.htm

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/05/pesquisadores-criam-armadilha-contra-o-mosquito-da-dengue.html

http://mdemulher.abril.com.br/familia/saude/dengue-veja-como-montar-uma-armadilha-caseira

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